O termo catarata refere-se à opacificação do cristalino, ou seja, à perda de transparência adquirida ou congénita da cápsula ou da substância do cristalino.

O termo catarata refere-se à opacificação do cristalino, ou seja, à perda de transparência adquirida ou congénita da cápsula ou do seu núcleo. Nos casos mais frequentes, a opacificação, ocorre geralmente, de forma gradual relacionando-se, com processos de envelhecimento. Este processo é o resultado de mudanças biológicas e bioquímicas que ocorrem nas fibras do cristalino.

O cristalino funciona como uma lente natural do olho e é responsável pela focagem dos raios de luz na retina.  É uma estrutura biconvexa e transparente que se situa diretamente atrás da íris, ligado ao corpo ciliar por ligamentos denominados de zónulas, formadas por inúmeras fibrilhas. O cristalino pode ser dividido em três camadas: cápsula, córtex e núcleo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as cataratas são a principal causa de cegueira reversível a nível mundial, e a segunda principal causa de baixa visão.

Tipos de Catarata

A catarata pode classificar-se de acordo com a sua morfologia em três tipos: 

  • catarata nuclear quando a opacificação do cristalino ocorre na zona mais central;
  • catarata cortical quando a opacificação ocorre na zona mais lateral com um aspeto radiado;
  • catarata subcapsular posterior quando a opacificação ocorre por baixo da cápsula posterior do cristalino. 

Podemos ainda caracterizar a catarata em quatro grandes tipos de acordo com a etiologia: 

  • Senil: Este é o tipo de catarata mais frequente, estima-se que 90% das cataratas sejam devido à idade e é, geralmente, uma bilateral.
  • Congénita: Surge aquando do nascimento, devido a malformações oculares congénitas, infeções intrauterinas, síndromes genéticas, exposição a radiação e sem causa conhecida.
  • Traumática: É a principal causa de cegueira unilateral em jovens adultos ativos. Geralmente associada a traumas contusos ou perfurantes, no entanto o seu aparecimento pode estar relacionado com outros fatores como a exposição prolongada a radiações infravermelhas e ionizantes ou choques elétricos. Em média, a faixa etária deste tipo de catarata é cerca de duas décadas inferior à da catarata senil.
  • Secundária: Surge por consequência de outras doenças sistémicas e pelo uso prolongado de determinados fármacos, tais como os corticosteroides em doses elevadas e de forma prolongada.
Catarata 2

A alteração da função visual depende do tipo de catarata e da sua gravidade. Os sinais e sintomas da catarata, por norma, evoluem de forma progressiva com velocidade variável e tendem a acentuar-se nas fases mais avançadas. Atualmente, não existe forma de interromper ou prever a evolução da catarata.

Os sinais/sintomas mais frequentes são:

  • Diminuição da acuidade visual;
  • Sensação de visão “nublada” ou “enevoada”;
  • Fotofobia;
  • Encandeamento;
  • Diminuição da sensibilidade ao contraste;
  • Alterações da visão cromática;
  • Alterações do campo visual.

Na catarata nuclear existe uma miopia induzida, provocada por alteração de refração, devido à opacidade central, mais frequente. Por norma a visão de longe piora, mas em alguns pacientes presbíopes (que têm dificuldade de leitura) a visão de perto pode melhorar temporariamente. 

Nas cataratas corticais e subcapsulares, os sintomas podem ser mais ligeiros e passar despercebidos, uma vez que a perda de acuidade visual não é tão notória e a queixa mais comum está relacionada com perda de sensibilidade ao contraste. Os achados do exame objetivo realizado pelo oftalmologista são sempre relacionados com os sintomas subjetivos do doente.

A catarata tem vários fatores de risco para além da idade, tais como o tabagismo, o consumo de álcool, a exposição à luz solar, a Diabetes Mellitus, ou o uso continuo de corticoides. Atualmente não existe nenhum método eficaz e comprovado de prevenção para a catarata, sendo a cirurgia o único tratamento definitivo.

Como o quadro clínico que a catarata apresenta ser muito vasto, o diagnóstico terá que ser realizado por um médico oftalmologista, com base na realização de alguns exames. Entre eles destacamos a observação pelo médico oftalmologista ao bio microscópio e a acuidade visual e a visão de contraste.  A biometria, a microscopia especular, a topografia e o OCT são exames que ajudam na escolha do plano cirúrgico e, também, no encontrar de situações que possam sobrepor-se, pondo em causa o resultado final da cirurgia.

Operar a catarata é atualmente a única solução, para a recuperação da visão perdida.

A microcirurgia da catarata, com auxílio do laser femtosegundo e da facoemulsificação e introdução de lente intraocular é uma cirurgia muito eficaz, de baixo risco e raras complicações, na mão de um cirurgião experiente e com ótimos resultados.

Os bons resultados exigem uma preparação cuidadosa no que respeita à avaliação dos parâmetros do olho, para uma escolha correta da lente a implantar. Também a procura de patologias associadas que possam pôr em causa o resultado visual não é de somenos importância.

A lente a implantar pode ser fundamentalmente de três tipos, monofocal, foco estendido (EDOF) ou multifocal.

No primeiro caso o doente fica a ver bem ao longe, mas vai sempre necessitar de óculos de perto par a leitura.

No segundo a visão de longe é também corrigida e adicionalmente a visão intermedia.

A lente multifocal permitirá uma total independência dos óculos.

Todas têm vantagens e algumas desvantagens, por isso o mais adequado será sempre discutir o assunto durante a consulta.

Uma vez realizada a observação e diagnóstico, o oftalmologista, após o consenso quanto ao tipo de lente a implantar, vai pedir vários exames naquele sentido.

A topografia da córnea permite avaliar o grau de astigmatismo e a necessidade de implantar uma lente que o possa corrigir (lente tórica). Permite também verificar a existência de irregularidades na córnea, a sua curvatura e o tamanho da câmara anterior (isto é o espaço entre a face posterior da córnea e a face anterior das iris e do cristalino) assim com o ângulo entre a córnea a raiz da iris. E ainda o tipo de aberrações cromáticas existentes.

A microscopia especular que serve para avaliar o estado do endotélio.  A fina camada de células da face posterior da córnea muito importantes para manter a transparência da mesma. Avalia o número e morfologia das células.

A biometria que permite avaliar o comprimento (axial) do olho para o cálculo da potência em dioptrias da lente intraocular.

O OCT que permite avaliar o estado da retina. O que mais interessa na cirurgia da catarata é avaliar a mácula, uma pequena zona central da retina onde se forma a imagem e as alterações que possam existir, geralmente de carácter degenerativo.

Catarata 4

O tratamento da catarata é cirúrgico e apresenta uma elevada taxa de sucesso.

O procedimento cirúrgico de eleição é a cirurgia de catarata por facoemulsificação do cristalino e implante de lente intraocular, que pode ser assistida com laser femtosegundo.

Apesar do implante da lente intraocular ter como finalidade a substituição do cristalino e eliminação da opacificação existente, esta pode também corrigir erros refrativos (astigmatismo, hipermetropia e miopia) previamente existentes, mediante o tipo de lente implantada.

Chegado o dia da cirurgia o olho a operar é dilatado, isto é, são colocadas gotas para dilatar a pupila através da qual possível chegar ao cristalino opacificado.

São colocadas gotas anestésicas para adormecer a superfície do olho.

De seguida e já na sala  o paciente deita-se na mesa operatória. Comandado pelo médico o laser de femtosegundo realiza abertura circular da cápsula do cristalino e também a divisão do próprio cristalino em pequenos pedaços. Faz ainda as incisões corneanas com precisão,

Anteriormente todos estes passos eram realizados pelo cirurgião, manualmente. Uma das vantagens do laser de fentosegundo, é a abertura circular da cápsula ser centrada no eixo visual, o que permite uma centragem ideal da lente intraocular. A divisão do núcleo permite uma aspiração breve dos restos, usando energia mínima de facoemulsificação, garantindo uma córnea transparente a seguir à cirurgia.

Finalmente é introduzida a lente e a incisão é hidratada, dispensando qualquer sutura.

O paciente segue então para sua vida, com algumas recomendações e a utilização diária temporária de colírios anti-inflamatórios e antibiótico, com a sua função visual recuperada.

A cirurgia não está isenta de complicações. Durante a cirurgia pode romper-se a cápsula fundamental para o implante correto da lente intraocular. Se o rompimento ocorre quando da extração da catarata, podem restos de material ficar no vítreo. Se ocorrer durante a introdução da lente esta pode cair também para o vítreo. Ambas as situações exigem uma vitrectomia para limpeza dos restos de catarata ou para conseguir retirar a lente intraocular. Ambos os casos se resolvem definitivamente sem outras compleições e com recuperação visual igual. São muito pouco frequentes e raras nas mãos doe nossos experientes cirurgiões.  Uma situação, um pouco desagradável, pois atrasa a recuperação visual, é o edema da córnea, que subsiste por vezes durante alguns dias dificultando a visão

Outro caso raríssimo hoje em dia com a técnica atual é a hemorragia expulsiva que como o nome indica acaba na maior parte das vezes na perda da visão desse olho.

Posteriormente à cirurgia ocorrem também ouras situações de baixa frequência, como o edema cistoide da mácula, caso em que a visão baixa pode por vezes durante semanas ou meses até resolução espontânea.

O descolamento posterior do vítreo que ocorre após a cirurgia pode ocasionar um buraco de retina que por sua vez pode causar um descolamento.

Um descolamento da coroideia também pode ocorrer, geralmente transitório.

Apesar das complicações possíveis a cirurgia tem uma taxa de recuperação visual de cerca de 98% sendo muito raras as complicações graves, que põem em causa o resultado final.

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